domingo, 14 de outubro de 2012

14 de Fevereiro de 2004, Nada me sai hoje... cada palavra é insignificante quando todos se lembraram de as utilizar. Cada gesto é pequeno, quando todos se lembraram de gesticular. Cada letra é insufuciente num papel quando, nas ruas, inúmeros são trocados! Toda a gente se lembra do amor... mas quem se lembra que existe guerra? Todos se lembraram de palavras carinhosas, mas quem se lembra da fome de muitos, da tristeza, da sede, do frio, das lágrimas, das cinzas, dos caixões, das armas, das bombas, das armadilhas, dos tiros, das crianças correndo, das mães chorando, das mulheres e maridos afastados, do desânimo, do sangue, da prisão? Quem se lembra de tudo isto se nada se passa ao seu lado mas sim a uns quilómetros, se não se passa no agora mas sim apenas no amanhã? Debrucemo-nos agora no tema amor. O que é o amor? Camões diria que "é fogo que arde sem se ver"... Será mesmo que não se vê? Casais abraçados aos beijos, flores, fitinhas, corações, prendas, mensagens, cartas e versos... Tudo isto é tão supérfluo pois amanhã existe o divórcio, a briga, as lágrimas... Amor não é só gostar de alguém e o demonstrar... não é apenas dizer "amo-te". Amar é entregar a alma a alguém e pedir que a guardem... é entregar todo o ser, toda a vontade, toda a confiança... É a saudade... é (porque não?) a solidão entusiasmada. É "cativar", é a espera por um horário, por determinada posição dos ponteiros! Como posso eu falar de amor, perguntam... Posso falar do meu conceito de amor, no sentimento belo e puro que sempre imaginei... que sempre vi quando um casal de idosos se olham ao espelho e dão aos mãos. Quando uma senhora de idade pergunta ao marido: "Estou bonita?" e ele responde afirmativamente... É quando ambos observamn um álbum de fotografias e relembram toda uma vida de união onde houve momentos de felicidade... e de dor. Quando relembram o primeiro filho, o primeiro beijo, o dia do seu casamento, o dia em que fizeram 25 anos de casados, 50, 75... É quando ele entra em casa e encontra a mulher despenteada, suada, cansada de um dia de trabalho e esta lhe parece a mulher mais bela do mundo... É quando ela lhe dá os medicamentos que ele deve de tomar. É quando, após uma discussão, ambos olham, relembram, e se abraçam fortemente. É isto o amor. É isto o amar... não apenas trocar juras de amor que se perdem... É trocar juras de amor que permanecem e se renovam a cada dia que passa!

Nenhum comentário:

Postar um comentário